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A História Nunca Antes Contada de Paladar
Em 16 de julho de 2020, eu escrevi a “História nunca antes contada de Paladar”. Paladar é um clássico desconhecido, lá para as bandas de onde nunca estive. Um dia, não tantos anos atrás, eu conheci uma garota e comecei a conversar com ela num fim de tarde ameno. A conversa entrou pela noite e, quando…
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Um ciclo de haicai
Poemas escritos às vésperas das chuvas IO samurai pisaa neve remanescentepós-apocalipse. IIBalança na redeazul como o céu de junhonas noites sem nuvem. IIIBorboleta pousano ombro nu da açucena:pequena, pequena. IVPássaro pequeno de patas muito velozes,o mar o alimenta. VOlhei para a serrae vi a manhã nascer:desmanchei-me em luz. VICachorrinho canta cânticos pra lua cheiasolto na cidade. VIIÁrvore sem…
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Corpografia — anotações sobre “Pequeno ensaio amoroso”, de Luiza Cantanhede
A poeta maranhense de “feminilidade viril” tem uma dicção lírica que se apropria e reinventa a sua sonoridade natal. O “Pequeno ensaio amoroso”, de Luiza Cantanhêde, não deveria ser lido como um livro sobre o amor. Ela é poeta de escolhas cuidadosas de vocábulos, e sua decisão pelo adjetivo “amoroso”, em vez do substantivo “amor”…
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A restauração da fachada da Academia Caxiense de Letras é uma lição que a cidade deve aprender
A obra é resultado de esforços de acadêmicos e de parceria com o governo estadual Neste texto, apresenta-se um histórico do projeto de restauração da fachada da Academia Caxiense de Letras e um comentário sobre o potencial impacto cultural da obra na paisagem e na consciência de Caxias. Pequeno histórico do projeto Já faz alguns meses…
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Édipo fraturado
poema do ciclo das Mulheres Fictícias Os peitos de Açucenasão como os olhos de Capitu:peitos de ciganaoblíqua e dissimulada— peitos de ressaca. A densidade da carnepareia com a fluidez da fantasia:cinco quilos e meiode delírios perversose sede de Édipo fraturado. Os mamilos de Açucenasão a corola de uma florda qual se pode chuparnéctares agridocese que…
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Torre de vigia
All Along The Watchtower é um dos textos mais enigmáticos do bardo de Minnesota: o diálogo apocalíptico de um ladrão e um palhaço no que parece ser uma prisão panóptica. Eu realmente gostaria de aproximar essas imagens do meu público. Então, tomei a pena sem pena e recriei o poema no nosso idioma roubado — não é…
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Isto não é um presente
Um conto sentimental “Eu tinha que te dar um presente”, ela disse. Mas o que era o presente? O sexo? A visão espetacular do seu corpo moreno e jovem em lingerie de fitas pretas? Não. O presente era toda a existência dela condensada no sorriso discreto dos seus olhos castanhos que rebatiam para mim o…
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Rosas da perdição
O morno de um segredo em soprobrisa na tua pele de alecrim Teu músculo, jardim viçosodas flores siderais que eu trago im- precisas no avesso dessa peleprata (poro de percorrer) in- decisa, num mundo de poemase pecado a se perder… dream A dardo, a falo, a faca ou a caneta.eu cravo em tua alma o…
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Quando olhei pela persiana, o terraço tinha virado sol
Há um único sentido em que eu posso ser considerado marginal — exclusivo, específico e restritivo. Sou um homem inteligente e numa sociedade naturalmente burra, sistematicamente emburrecedora e tecnicamente dedicada à produção da burrice, toda inteligência é margem. Meu autoelogio sequer pode ser considerado arrogância — na terra dos sapos, pra ser homem, basta mijar em pé. De resto,…
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Espiral
Um canto sem refrão eu sempre te procuro até o alcance do meu somsurda, a multidão pisando placas de concretonão escuta a música dentro da música e o verso dentro do versonem o silêncio dentro das frestas da minha voz– nesse lugar que eu chamo de saudade eu sempre te procuro até o limite do meu…
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“Artista não tem que militar”, diz o cúmplice da injustiça.
Existem artistas que tocam, cantam e fazem poesia para santos, anjos e para o próprio Deus. Essas pessoas — Deus, anjos e santos — não moram na Terra. Elas não comem, não passam frio, nem sede, elas não adoecem de câncer depois de serem envenenadas por alimentos industrializados e vegetais intoxicados. São pessoas que não levam tiro de polícias…
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Da fidelidade às palavras
Sobre um comentário que alguém fez sobre cantar em “nossa língua”. A língua portuguesa é o meu instrumento mais frequente de expressão verbal. A língua que domino; aquela na qual eu sou um virtuose. Eu a amo, não pelo que ela é, mas por tudo que sou capaz de fazer com ela: amo-a como um espadachin…
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Pátria, família e pastor
Poema Não precisamos de pátria, meu bem,tudo o que precisamos é um lar.E lar é uma cançãoque carregamos no peito.Milagre de lar é parede que não prende,refeição que se tempera a risos,sono que se dorme junto — e em paz. Não precisamos de família, meu bem,nós que já temos o amor.E amor é voza correr o corredor.Milagre…
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Paisagem
o pigmento da terra na tua pele fêmea relevos de serra portas de vulcão tudo germina nos teus poros bosques e cílios de poesia e perversão hoje, o sol me acordou com seus sussurros (animal de patas fendidas que escala o morro dos teus peitos) o vento corta a temporada ecos e ecos dos teus…
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Show-zine Poematron — lugar de poesia é na calçada
A pretexto da estreia do meu novo espetáculo poético/musical Poesia não se faz para as aranhas ou traças: faz-se poesia para as pessoas em seus caminhos. É por isso que eu faço fanzines e os espalho por aí: pra que a poesia circule pelas ruas, corpo-a-corpo, mão em mão. O show Poematron é isso, um…
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Ainda Celso Borges
Comentário sobre o livro “Ainda”, de Celso Borges, publicado em 2024 pela Mórula Editorial (Coleção Diabo na Aula). Celso Borges é um poeta que sempre confrontou a dimensão do tempo em seus escritos. Muitos estudiosos da cultura no século XX identificam na arte dos anos 1960 em diante uma “espacialização do tempo”, como se a percepção…
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Os ventos da poesia de Socorro Borges
Comentário sobre o novo livro de Socorro Borges, “Ventos que sopram aquelas noites”. No dia 31 de outubro de 2024, ocorreu o lançamento de “Os ventos que sopram aquelas noites”, da poeta, historiadora e educadora Socorro Borges. Vagalume num momento de perigo, o livro é uma coleção de poemas curtos, produzidos no limbo temporal da pandemia,…
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A grande sacada
Nesse dia dos mortos, um pequeno escrito sobre a morte como potência. Escrever não é uma forma de evitar a morte: tanto melhor se escreve quanto mais se sabe morrer. Hemingway, Marc Bloch, Antônio Cícero. Esse tipo de gente que já nasceu sabendo morrer. São eles os que entendem e se apropriam da vida com…
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Fricções
Um pequeno texto sobre a fluvialidade e a volúpia das palavras. Mot, em Francês, significa palavra. Em Português, mote é uma palavra que indica outras palavras: aquela que, numa trova, dá motivo aos versos. Motivo é uma palavra usada como sinônimo de causa, razão e até de justificativa. Na música, um motivo tem o mesmo…
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Jotonio on
Escrito por ocasião da morte do jornalista, amigo e confrade, Jotônio Viana, que editava a coluna “Caxias em off” Vou contar a história do meu primeiro encontro com Jotônio Viana. Ele não se deu num ambiente físico, mas no espaço da escrita. Ingressei no curso de História do CESC/UEMA em 2004, e por ocasião das eleições…
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Open — um poema sobre o teu abrir
um poema sobre o teu abrir abrem-se as cortinas,abrem-se os meus olhos,abrem-se as flores da estação. abre-se o livro na página marcada,abre-se a voz do artista de rua,abre-se a porta, a janela, o sorriso, o coração. abrem-se os caminhos para as possibilidades,as rugas da terra para o tempo germinar,abrem-se as panelas à espera do fogo,da água, da…