Um canto sem refrão

eu sempre te procuro até o alcance do meu som
surda, a multidão pisando placas de concreto
não escuta a música dentro da música e o verso dentro do verso
nem o silêncio dentro das frestas da minha voz
– nesse lugar que eu chamo de saudade
eu sempre te procuro até o limite do meu sonho
quando o calor da manhã me diz que é hora de acordar
e ainda resta qualquer coisa daquela solidão de magia e morte
e a alma ainda paira leve e livre no céu de dentro do céu
– nesse lugar que eu chamo de saudade
porque o tempo sem você é um espiral
de espera, espera, espera, espera
e eu salto os galhos das palavras nos poemas
sem saber se um dia essa floresta vai se acabar
porque aqui o espaço até já se quebrou
o chão já se fez pó e o pó
que trago nos meus pés é a trilha
onde flutua a minha incurável desorientação
nesse lugar que eu chamo de saudade
onde eu escrevo um novo canto sem refrão
pra ocupar meus lábios & talvez te alcançar
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