Poemas escritos às vésperas das chuvas

I
O samurai pisa
a neve remanescente
pós-apocalipse.
II
Balança na rede
azul como o céu de junho
nas noites sem nuvem.
III
Borboleta pousa
no ombro nu da açucena:
pequena, pequena.
IV
Pássaro pequeno
de patas muito velozes,
o mar o alimenta.
V
Olhei para a serra
e vi a manhã nascer:
desmanchei-me em luz.
VI
Cachorrinho canta
cânticos pra lua cheia
solto na cidade.
VII
Árvore sem frutos
ainda é uma árvore:
frutifica sombra.
VIII
Doce viração
sobre o morro do alecrim
— hálito dos mortos.
IX
Na beira do rio
pés de milho e de feijão:
criança e avó.
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