A pretexto da estreia do meu novo espetáculo poético/musical

Poesia não se faz para as aranhas ou traças: faz-se poesia para as pessoas em seus caminhos.
É por isso que eu faço fanzines e os espalho por aí: pra que a poesia circule pelas ruas, corpo-a-corpo, mão em mão.
O show Poematron é isso, um espetáculo que acopla poesia, rock & eletricidade e se entranha na entranha da noite.
Estética de fanzine: colagens e intervenções — sem subordinação a modelos e gêneros.
Tocar Belchior com sonoridade de Hendrix e encaixar no arranjo um poema de Celso Borges. Verter clandestinamente letras de Bob Dylan e George Harrison. Misturar idiomas. Soar Oswaldo Montenegro com levada de Nina Simone. Citar Zizi Possi, misturar Stones com Barão. Falar um longo poema sobre a boca da morena antes de dizer Ain’t no sunshine when she is gone (em ritmo de reggae, sem desligar o overdrive).
No último dia 05 de novembro estreamos — eu e os leais Cães Sarnentos — essa performance no Locomotiva Pub, em Codó, Maranhão. Rente ao chão, fazendo da calçada palco, do palco o mundo, o cosmo — palcosmo (sem o perdão da cacofonia).
Para mim, esse é o propósito do artista urbano: irromper do concreto com uma nova dicção,, uma nova tentativa fazer-se o que se é. Não para anestesiar e distrair, mas inventar novos sentidos e propósitos as dores & feridas.
Trovatron é o poeta da diáspora; poematron é a lírica da dispersão.
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