Todas As Publicações

  • E, no entanto, estamos aqui…

    E, no entanto, estamos aqui…

    Quem sabe se os pensamentos, no fundo do nosso cérebro animal, também não tenham seus próprios pensamentos e suas próprias crises – e quem sabe se não é dolorosamente frustrante para eles girar em torno da nossa cegueira e depois apodrecer no silêncio.

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  • Arte é trabalho

    Arte é trabalho

    Arte é trabalho – não é trabalho a determinação de um ser humano a inventar alegrias para os outros? Não é trabalho o trabalho de decodificar os sonhos e decompor o real? Não é trabalho o cuidado de traduzir o inefável, de acender estrelas, de fazer a toalete de deus?

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  • O estilo é a resposta

    O estilo é a resposta

    O estilo é a resposta: anotações sobre uma estética da existência. Isaac Souza fala sobre o absurdo da vida e como a arte e um viver com arte podem ser saídas possíveis.

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  • Masturbadores de uma morte falsa

    Masturbadores de uma morte falsa

    Não têm vida nem morte verdadeiras para amar – são masturbadores de uma morte falsa, tão falsa quanto as notícias que os informam, uma boneca inflável cadavérica que eu não sei por que nome chamar, mas você sabe exatamente do que se trata.

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  • Nós precisamos de poesia

    Nós precisamos de poesia, porque somos feitos de poesia. Quando ainda éramos animais selvagens, quase sem idioma e códigos, nos balançando em árvores e comendo alimentos crus, nós descobrimos o ritmo. E aprendemos a ritmar os nossos balbucios até fazer deles palavras e, com elas, fizemos histórias. E em torno das histórias que contamos inventamos…

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  • Péssimo leitor de poesia

    Péssimo leitor de poesia

    Sejamos francos, sou um péssimo leitor de poesia. Sempre fui um péssimo leitor de poesia, e pretendo continuar a sê-lo até o último dos meus dias. E isso não é culpa da poesia, mas dos poetas. Da performance mecânica e fingida dos poetas contemporâneos: mímicos, pantomimeiros de mistérios inexistentes. Abro um livro de poesia: já…

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  • Boneca de Buriti

    Boneca de Buriti

    Ninfa do brejo dourado,Boneca de buriti;Amor, utopia, pecado– beleza de um mundo por vir. Dá-nos teu peito e teu canto,Profana donzela. Anjo rebelde vestidoCom as cores do arco do céu,Por sol e poeira polido,Montado em fogoso corcel Dá-nos teu peito e teu canto,Selvagem gazela. Corpo que é terra molhada,Carta de navegação,Pedra de sangue entalhada– território…

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  • Nós, os Fantaxmas, os animais translúcidos da resistência

    Nós, os Fantaxmas, os animais translúcidos da resistência

    Nós, os Fantaxmas, os animais translúcidos da resistência, espalhamos nosso uivo de ventania cidade adentro, cidade afora – a poesia que se evapora e alucina, que cura o barro e o sopro e que marca a nossa posição no tempo. Caxias, 2016 – Um grupo de artistas inquietos e insurretos – alguns com muita, alguns…

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  • Slow Jam

    Slow Jam

    Brinca comigo,deixa eu escoar (ecoar!)nos teus delírios. Aqui dentro o mundo chora;dentro em mim um mundo em chamas. Mas em ti eu me equilibroe digo: grita! e digo: canta!fala frases longas e truncadas…porque a alma nasce do some na poesia faz fragrância. Harpas e harpias habitamcavernas abissais em nós.

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  • Poema vivo em língua morta

    Poema vivo em língua morta

    Você pairava no horizonte dançando por sobre os montes e os vagabundos em degredo. Você, nos seus cabelos, o anjo da perdição. Eu te amava como se ama a lua – eu era só um cão de rua, faminto, sujo e desordeiro. Você, nos seus cabelos, a asa em chamas do Dragão. Você brilhava –…

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  • Noite em mim

    Noite em mim

    A noite está presente em mim, faz parte de mim – é como a minha alma se vê. Sento-me a um canto escuro e respiro a umidade, deixo a poeira molhada de orvalho invadir minhas narinas, obstruir minha respiração. Busco a brisa, busco as aves de rapina – esforço-me para sentir o medo dos roedores…

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  • Arte X Cultura – palavra-cilada e a máquina de guerra

    Arte X Cultura – palavra-cilada e a máquina de guerra

    Então, a arte é uma contracultura – essa sensibilidade estética a que se refere Guattari – é o que entendo ser a arte. Máquina de guerra, a arte rompe o pacto da normalidade, o pacto da mediocridade: ela viola os acordos territoriais das identidades fixas e eclode como força do caos em meio ao cosmo.…

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  • Poesia, indócil humildade: o esforço de viver para nada

    Poesia, indócil humildade: o esforço de viver para nada

    Eu soube que deveria recorrer à poesia para sobreviver numa manhã nublada, dentro de uma agência bancária. Eu tinha uns 18 anos; um colega de sala de aula recentemente havia sido conquistado por uma vaga como bancário. Enquanto eu esperava para ser atendido, olhei-os passar em suas roupas sociais em dessintonia com seu corpo e…

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  • Bolhas de Manteiga – ou fragmentos iluminados da loucura

    Bolhas de Manteiga – ou fragmentos iluminados da loucura

    Os dias, as noites, os pulsos da música. O tempo, como uma lixa. A filosofia murmurante das águas e dos redemoinhos. A lagarta, a goteira, o gargarejar de uma privada no prédio vazio – e imenso. Reminiscência e devaneio. Loucura e aprendizado. Viajar e escrever – uma coisa para a outra, uma coisa contra a…

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  • Texto-catarro (como diria Edwar)

    Texto-catarro (como diria Edwar)

    A imagem em destaque é do artista plástico Felipe Gobbi. Essa coisa de “alta literatura”, de Poesia (com maiúscula) é uma barca furada que babacas eruditos inventaram para compensar com elitismo a evidente falta de “aproach” com a estética-acontecimento. Poesia é expressão – de exprimir, espremer, o real na fibra de sua realidade: o real…

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  • All Along The Watchtower – o apocalipse místico da poesia-rock

    All Along The Watchtower – o apocalipse místico da poesia-rock

    A poesia de Bob Dylan é um nó que conecta o coração do homem sedento de superar a experiência contemporânea do capitalismo de controle – em que tudo é seguimentado, individualizado, produzido em linha de montagem e nadificado pelo preço – a uma experiência estética visceral que remete à sensibilidade mais elementar.

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  • Quatetê: a coleção de cabeças de Carvalho Junior – algumas anotações

    Quatetê: a coleção de cabeças de Carvalho Junior – algumas anotações

    Colecionar é uma arte. Walter Benjamin já apontava as virtudes semióticas da atividade do colecionador – ele desloca os objetos de seus lugares originais e os realoca em novas séries, produzindo significado e valor. Considere os números numa lista de telefone: são apenas informação. Mas se um colecionador seleciona números de telefone e os cataloga…

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  • Hendrix, a diferença

    Hendrix, a diferença

    Jimi Hendrix não foi apenas um músico revolucionário, foi um tipo de xamã. Hendrix encarnou algo mais profundo que o – já absurdamente profundo – amor pela música: ele encarnou a fé na Música. Não uma fé dogmática. Não a fé excruciante dos que gozam com a abnegação. Não a fé sacrificial dos mártires cujo…

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  • “Os poderes de uma canção”

    “Os poderes de uma canção”

    Num texto tocante, Suely Rolnik fala sobre sua experiência de reinvenção de si, depois de absorver no corpo a violência brutal da Ditadura brasileira. Ela conta sobre como todo um processo de cura, de produção, de invenção se condensou em uma nota de uma canção de Gal Costa que ela emitiu em uma aula de…

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  • Arte e Magia – o ofício do bardo

    Arte e Magia – o ofício do bardo

    A música é a arte original: das entranhas da música nasceram siameses o teatro e a poesia – nasceram mágicos, nasceram místicos, nasceram como forma de comunicação não dos homens com os deuses, mas dos deuses com os homens. Música, poesia e teatro são formas ancestrais de arte que guardam até hoje, apesar de toda…

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  • Por que sou um cão que gosta de andar em banda

    Alguns músicos se sentem bem tocando no estúdio, emprestando seu talento para que a música de outros artistas se fortaleça e siga em frente. Há também aqueles que se munem de um instrumento e alguns recursos tecnológicos e fazem solitariamente o seu caminho pelas estradas. Mas alguns são como eu: são como cães, por mais…

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