Poema desnecessariamente explicativo

Porque as cores do céu noturno,

nos meses de chuva intermitente,

me falam da cor dos teus olhos

– escuros, mas luminosos.

Porque as eras geológicas 

que pulverizaram rochas e escavaram

a casca da terra deram ao solo do sertão 

o mesmo tom moreno da tua pele.

Porque quando as estrelas cantam

em coro, uma respondendo à outra

em versos de improviso,

existe sempre uma que imita

o timbre da tua voz.

Porque nas mãos de um cigano

que viaja pelas encostas das montanhas

da Romênia há de chorar um violão

a mesma nota macia

do teu gemido no primeiro golpe.

Porque a boca da noite não tem beiços,

mas a tua envolve o meu mundo

num cobertor de sonhos. Porque quando nos aproximamos do riacho,

ele murmura suave como o murmúrio do teu 

peito, quando ele acolhe a minha incurável solidão.

Porque nas tua coxa mora um enigma, e da ponta dos teus dedos saem linhas e cores, e na música que soa no intervalo entre as canções há um ruído de aquarela que pronuncia o teu nome em mim.

Porque o teu nome começa com um suspiro

(sopro quente do meu hálito & vogal que se admira),

porque ele quebra no céu da boca, como um click,

e amanhece em luz dourada (verbo ser no tempo-dádiva).

Porque, finalmente, ele se aquieta em sombra fresca, na ponta da minha língua ou na vibração dos lábios.

Porque quando começa, teu nome é fôlego; e quando termina, teu nome é Deus.

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