Há duas coisas que importam na vida: poema e sexo – e é fundamental que as duas estejam juntas. Poema alijado de sexo equivale a neurose. Sexo alijado de poema, psicose. O encontro de ambos nessa fenda que rasga o tempo a qual chamamos corpo – isso é o mais próximo que um ser humano pode chegar de Deus.
O sexo não precisa ser genital: também e acima de tudo palavra, é sempre a palavra em êxtase, a linguagem em delírio, é sempre um deixar-se dizer, um deixar-se narrar, um diluir da fala em balbucio que atravessa o corpo e faz explodir o sangue. Assim também o poema não deve ser gramático – é no corpo e apenas no corpo que a poesia se escreve, se inscreve (I put a spell on you) – como feitiço, tatuagem, cicatriz e memória.
Poema e sexo são o dentro-fora/fora-dentro da superfície ambivalente da Fita de Möbius.


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