Há um fetiche sobre as “primeiras vezes” — primeiro sexo, primeiro beijo, primeiro amor, primeiro voto… O primeiro qualquer coisa é invulgar por mais vulgar que qualquer coisa seja; parece um truque que adciona importâncias eventuais a nossas vidas insignificantes. Eu não lembro a minha primeira vez de quase nada, não estava suficientemente atento quando elas aconteceram. Lembro dos meus primeiros óculos aos sete anos de idade e da primeira vez que tive a sensação que ficaria cego (de um olho, realmente fiquei). Fora isso, mais nada — exceto a primeira vez em que li Rimbaud.
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