“Gaia Ciência”, canção de amor e magia

No dia 15 de dezembro de 2025 foi lançado o single Gaia Ciência, meu primeiro lançamento inédito desde “Violão de Veludo”, de 2024.

Pra mim, esse é um momento especial, porque marca uma retomada do meu trabalho musical e uma reorganização do meu catálogo.

Gostaria de compartilhar com vocês algumas coisas sobre essa canção de amor e magia.

O Título

“Gaia Ciência” é o título de um famoso livro de Friedrich Nietzsche, filósofo alemão a cuja leitura sempre retorno – mas não foi ele que o inventou.

Nietzsche encontrou certa vez, em um sebo (tipo de lugar que ele adorava frequentar em suas viagens à Itália) um livro de poesia provençal cujo título era “A Gaia Ciência”.

A expressão, que vem do provençal, significa literalmente “o alegre saber” e era como os trovadores da região nomeavam a sua própria arte – a poesia.

O trovador é uma figura com quem sempre me identifiquei. Simultaneamente poeta e músico, ele criava poemas para circularem no ar (“palavras aladas”, diziam os bardos gregos muitos séculos antes). Poemas para serem cantados, ouvidos, aprendidos de cor.

O Tema

Gaia Ciência é representativa de um jeito de escrever ao qual me aferrei quando era ainda um poeta imberbe.

Na verdade, foi por influência da leitura de Nietzsche que me lancei na mata fechada da linguagem em busca de meu próprio caminho e decidi que meus versos celebrariam o corpo, a carne e a terra e que essa viagem imanente e concreta seria minha grande jornada espiritual, como poeta, como estudioso e como ser humano.

O erotismo, desdobrado em dezenas de imagens, associações, cenas e sinergias tornou-se a metáfora central de todos os meus escritos e a minha chave de leitura – não só dos meus próprios textos como também dos textos alheios. Lato sensu, um fetiche.

O Som

Além disso, Gaia Ciência é uma das primeiras experimentações sonoras feitas pela banda Casino Quebec para a consolidação de uma identidade sonora.

Depois de errâncias por sonoridades e texturas diferentes entre si, nós chegamos a um tipo de “conceito”, um som que podíamos descrever de maneira simples e cuja “teoria” éramos capazes de torcer e distorcer, fazer e desfazer, como um projeto que entendíamos em cada camada e detalhe.

Ela foi para nós, literalmente, uma alegria de saber.

A Capa

A capa do single é uma pintura da artista visual Raquel Freitas, pintada em meados de 2025, Não foi concebida originalmente para esse fim, mas de alguma maneira senti que ela traduzia em linguagem visual a narrativa e a estética da canção – do plasma à plástica.

Ouça muito

A canção está disponível em todas as plataformas digitais. Ouça muito, compartilhe por aí, use em suas próprias publicações.

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