Era uma praça que tinha um céu quando anoitecia. Naquele céu havia estrelas, e debaixo delas havia bancos e canteiros. Nas plantas moravam joaninhas sempre tranquilas, e num dos bancos, sob o claro das estrelas, ficava um rapaz que olhava pra cima. Todas as noites o rapaz esperava para ver uma estrela que os olhos dele tinham apreendido de cor.
Era sexta-feira, e uma garota com o tornozelo torcido se aproximou, parecia cansada. As joaninhas a reconheciam; ele não.
– Oi – disse ela, sentando-se em um banco próximo, massageando o tornozelo – você olha para céu como se tivesse perdido alguma coisa lá.
– Eu acho que estrelas são joaninhas que fugiram – ele respondeu sem mirar.
– São nada! São garotas que não se apaixonam – retrucou, e nos olhos dela havia água e pó, havia neles um azul profundo e nebuloso.
– Você entende de estrelas?– ele perguntou.
Ela nem respondeu. Observou os olhos dele fixos no espaço.
– O que você procura?
– Ela hoje não saiu, há semanas que não sai.
– Não olhe tanto assim pro alto! Estrelas são bobinhas, são meninas, não insetos. – (Uma joaninha que escutou quis se ofender, mas caiu na gargalhada e no pescoço do rapaz).
– Bobinhas, em que sentido? – ele perguntou tentando se livrar da joaninha.
– Bobinhas! Elas caem se alguém olhar muito para elas.
Nessa hora, a menina viu a joaninha e segurou entre os dedos, bem detrás da orelha do rapaz.
– Hum! Cheira bom! Não tínhamos perfumes lá.
– Como você machucou o tornozelo?- perguntou o rapaz.
Ela não disse nada, só olhou para o céu com o sorriso mais brilhante que sua tristeza era capaz de fazer.
Deixe uma resposta