Um deus

À noite, as estrelas me contam histórias

de um deus tão distante e manhoso.

Gosto de ouví-las, sorrindo,

e mando lembranças ao deus; acho-o engraçado.

Elas dizem que ele está sentado

à borda de algum planeta,

e que ele faz das suas na cabeça

dos buracos negros.

Dizem que gosta de gente.

Dizem também que, ás vezes, só pra se divertir,

ele se disfarça de vagalume

e brinca de esconde-esconde

com os sapos inocentes.

Quando uma delas se cansa de piscar,

ele faz cócegas em seus queixinhos;

às vezes viaja num jumento alado:

ele sempre gostou de jumentinhos e pombos.

Ah, e ele está constantemente à procura de um ET cansado cabisbaixo,

manda sonhos meio doidos,

deixa cartas anônimas e presentes

sem dono – ou futuro –

pra quem achar e quiser ficar

Acho esse deus cheio de graça.

Ele não é como outros deuses que já conheci,

que imitam a cara amarrada dos velhos rabugentos

e são desconfiados

como os ex-maridos cornos.

Saravá!

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