Tinta

Escrevo com о согро: mão, peito, curva da coluna. Escrevo com a boca, os cabelos, o músculo mais duro da minha coxa. Escrevo com o cheiro, o suor, o suspiro. Escrevo com meu olho que arde e lacrimeja, com o meu pé inquieto que tamborila o chão. Escrevo com esta minha língua bárbara que não se deixa colonizar pela bandeira de Deus. Quando escrevo para você, escrevo para te cobrir com meu corpo, para te fazer acontecer na minha carne – percorrer tua epiderme, e me entranhar nos teus cabelos… E rasurar meu próprio dito nos tremores da excitação ou da saudade, e escorrer e te manchar com a tinta do meu querer.

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